Leitura resiste ao tempo acelerado e se reinventa na UEM
No Dia do Livro, universidade destaca leitura como formação, experiência e resistência em tempos digitais
Em meio à velocidade das telas, à multiplicação de conteúdos e à disputa constante pela atenção, a leitura de livros segue ocupando um lugar singular na formação humana. Celebrado em 23 de abril, o Dia Mundial do Livro propõe uma reflexão sobre o papel da literatura na sociedade contemporânea. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), essa discussão atravessa diferentes espaços e vozes passando pela sala de aula, rádio e às bibliotecas, reunindo experiências que mostram que, mais do que um hábito, ler é uma forma de estar no mundo.
Para a professora Ana Cristina Teodoro da Silva, do curso de Comunicação e Multimeios e coordenadora do Clube de Leitura Água Viva, a literatura não pode ser reduzida a uma prática utilitária ou a um simples acúmulo de leituras. “A literatura não tem compromisso com o que a gente chamaria de real”, afirma, ao diferenciar o texto literário da escrita acadêmica. “Na literatura, a gente pode viver outras vidas, imaginar outros tempos e espaços.” Segundo ela, é justamente essa liberdade que torna a leitura literária fundamental também para a própria produção de conhecimento. “Tem um momento da criação científica que os procedimentos não conseguem tocar, e a literatura toca”, explica.
Essa dimensão formativa da literatura aparece de forma ainda mais evidente quando associada ao conceito de humanização. A docente recorre ao crítico Antônio Cândido para reforçar que o acesso à literatura deve ser entendido como um direito. “A literatura é um caminho de humanização”, diz. “A gente precisa desse espaço para pensar, para imaginar, para sonhar.” Em um contexto marcado por excesso de estímulos e demandas constantes, a leitura assume também uma função de cuidado com a mente. “É como se a literatura fosse limpando, filtrando a nossa cabeça, que está tão inflacionada de estímulos”, observa.
Ainda assim, a presença da literatura no cotidiano, inclusive no ambiente universitário, enfrenta desafios. A própria professora reconhece que o ritmo acadêmico muitas vezes afasta estudantes e docentes da leitura por prazer. “A universidade também está tomada por esse produtivismo”, afirma. “A gente forma para o mercado, mas não apenas isso, a gente forma pessoas.” Nesse cenário, ela defende uma mudança de perspectiva em relação ao ato de ler, questionando a lógica quantitativa que ganha força nas redes sociais. “Ler não é consumir”, enfatiza. “Eu prefiro que os alunos leiam menos e com mais qualidade.” Para ela, o valor da leitura está na experiência, e não no volume. “Não importa quantos livros você leu por ano. O que importa é ter alguma relação com o universo literário.”
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Tags: Dia do Livro Leitura UEM Maringá

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